Doença por vírus Ébola Informação ao setor do Turismo

No sentido de prestar informação uniforme e objetiva relativamente à doença por vírus Ébola a todos os que atuam no setor do Turismo e que, por força das suas diversas profissões, apresentam uma exposição a clientes oriundos de todas as partes do mundo, o Turismo de Portugal em articulação com a Direção Geral de Saúde, divulga a seguinte informação:

O que é a doença por vírus Ébola?

Trata-se de uma doença grave rara, frequentemente mortal, causada pelo vírus Ébola.

Decorre atualmente e desde fevereiro deste ano, um surto de Ébola na Guiné­ Conacri, Libéria, Serra Leoa, Nigéria e Senegal. Foi também notificado um surto na República Democrática do Congo (província do Equateur); porém, até ao momento, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), acredita-se que este surto não tenha relação com a epidemia que decorre na África Ocidental.

O risco para os países europeus é considerado baixo, impondo-se, no entanto, medidas de prevenção.

Como é transmitida a doença por vírus Ébola?

Em seres humanos, a doença é transmitida:

  • Por contacto direto com sangue ou outros fluidos corporais (como saliva, urina ou vómito) de pessoas infetadas, mortas ou vivas;
  • Por contacto sexual não protegido com doentes até 3 meses após terem recuperado da doença;
  • Por contacto direto com sangue ou outros fluídos corporais de animais selvagens infetados mortos ou vivos, como macacos, antílopes e morcegos.

Não há evidência epidemiológica de transmissão por aerossol deste vírus.

Como se manifesta a doença?

Passados 2 dias e até 21 dias após a exposição ao vírus, a doença pode manifestar-se subitamente, com febre, dores musculares, debilidade, dores de cabeça e dores de garganta. A fase seguinte da doença caracteriza-se por vómitos, diarreia, manchas na pele e insuficiência hepática e renal. Alguns doentes apresentam igualmente hemorragias internas e externas abundantes e insuficiência de vários órgãos.

Não há qualquer vacina licenciada ou tratamento específico para a doença.

Risco de infeção pelo vírus Ébola e como o evitar:

O risco de infeção é considerado muito baixo em visitantes e residentes nos países afetados, desde que não se verifique exposição direta a pessoas ou animais doentes, O contacto ocasional em locais públicos com pessoas que não pareçam estar doentes não transmite o vírus. Os mosquitos também não transmitem o vírus Ébola, Conforme já referido, não há evidência de transmissão por aerossol deste vírus, como acontece com o vírus da gripe.

O vírus Ébola é facilmente eliminado pela utilização de sabão, lixívia, pela ação da luz solar e por temperatura elevada ou secagem. A lavagem na máquina de vestuário que tenha sido contaminado com fluidos destrói o vírus. Este vírus sobrevive apenas por pouco tempo em superfícies que estejam expostas ao solou que tenham secado, Pode sobreviver por mais tempo em roupas ou tecidos que foram manchados com sangue ou outros fluidos corporais. Existe um risco de transmissão de Ébola através do contacto com utensílios ou materiais contaminados em contextos de prestação de cuidados de saúde se não se aplicarem devidamente os procedimentos corretos de controlo da infeção.

Não estão interditadas as viagens internacionais para as áreas afetadas, mas os cidadãos devem ponderar viajar apenas em situações essenciais, tendo em atenção o princípio da precaução. Em Portugal, até à presente data (29 de setembro), não foi identificado nenhum caso desta doença.

As informações a seguir dirigem-se aos viajantes que se deslocam para zonas afetadas ou que regressam dessas zonas:

1. Recomendações às pessoas que viajam para a Gulné-Conacrl, Llbéria, Serra Leoa, Nigéria, Senegal e República Democrática do Congo (província do Equateur):

Caso viaje para os parses afetados, as seguintes medidas de prevenção contribuirão para eliminar o risco de infeção:

– evitar o contacto direto com sangue ou fluidos corporais de um doente ou de cadáveres e com objetos que possam estar contaminados;

  • evitar o contacto com animais selvagens, mortos ou vivos, e o consumo de carne desses animais;
  • evitar relações sexuais não protegidas
  • evitar habitats que possam ser povoados por morcegos, tais como cavernas, abrigos isolados ou instalações mineiras
  • lavar as mãos regularmente, utilizando sabão ou antisséticos.

Conforme referido, existe um maior risco de infeção nas instalações de cuidados de saúde, Por conseguinte, é prudente identificar as estruturas adequadas de cuidados de saúde no país, através de contactos com empresas locais, amigos ou familiares.

Devem ainda ser previamente consultadas as recomendações das autoridades nacionais sobre deslocações aos países afetados, Em caso de necessidade, deverá ser contactada a linha telefónica do Gabinete de Emergência Consular (961706472 ou 217929714), que funciona em permanência para situações de urgência ocorridas no estrangeiro.

2, Recomendações às pessoas que regressam da Guiné-Conacri, Libéria, Serra Leoa, Nigéria, Senegal e República Democrática do Congo (província do Equateur):

O risco de ter estado exposto ao vírus Ébola é muito baixo, No entanto é importante que seja vigiado o seu estado de saúde durante 21 dias após o regresso. Se o viajante apresentar febre, cansaço inexplicável, diarreia ou quaisquer outros sintomas graves (p, ex., vómitos, hemorragias inexplicadas, dores de cabeça fortes) ou tiver tido contacto direto, sem proteção adequada, com pessoa doente, deverá ser contactada a Linha Saúde 24 (808 24 24 24), mencionando a viagem recente e relatando as queixas que apresenta, Caso os sintomas se desenvolvam ainda durante o voo de regresso, no avião, deverá ser informada a tripulação imediatamente. O mesmo procedimento se aplica em viagens marítimas,

A Organização Mundial de Saúde recomendou aos parses o rastreio dos viajantes à saída, para deteção de doenças inexplicadas potencialmente ligadas a uma infeção pelo vírus Ébola, e que as pessoas diagnosticadas com Ébola e as que com elas estiveram em contacto não viagem para o estrangeiro, a menos que a deslocação decorra no contexto de urna evacuação médica adequada.

A Direção Geral de Saúde (DGS) continua a acompanhar a situação e adotará as medidas adequadas de acordo com a avaliação de risco/ tendo em conta as características do agente infecioso e as suas formas de transmissão.

A DGS mantém o seu site permanentemente atualizado sobre esta matéria/ incluindo no mesmo toda a informação produzida pela Organização Mundial de Saúde e pela Comissão Europeia e recomenda para a existência de uma adequada informação sobre esta questão a sua consulta regular em www.dgs.pt.

A DGS encontra-se naturalmente disponível para poder vir a desenvolver, à semelhança do já efetuado junto do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, sessões formativas de esclarecimento, a pedido das organizações e ou associações do setor que o considerem relevante, sendo que a própria Direção Geral, em função da evolução desta temática, poderá vir a dinamizar tais ações, cuja realização divulgará então através do seu site.